Tão diferentes e tão iguais. E uma amizade tão rara assim nasceu. Uma é fogo. A outra água. Uma tem impulso. A outra a cautela. Uma tem amor à vida. A outra nem tanto. Uma é terra. A outra é etérea. E assim vão se complementando... Enquanto uma dá asas, a outra da pés descalços no chão. O violão dá o ritmo ao vôo da borboleta. A borboleta dá a poesia ao som do violão. P.S.1: Texto criado em 2010 pela comemoração dos 20 anos de amizade entre Ana Paula (a borboleta) e eu (a violão) P.S.2: Foto gentilmente cedida por Chris Brand.
"Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia." (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
Como as vezes tenho raiva de mim. De ser quem e como sou. Como é que alguém pode ser tão incapaz assim? Deixar a melhor coisa que aconteceu em sua vida escapar. Não porque possa controlar tudo. Mas por ver a areia escorrer por entre os seus dedos. E não fazer algo para evitar isso. Como se isso fosse inevitável. E mesmo assim sem ter culpa, carrega toda a culpa do mundo. E como punição tenta se contentar com o que não contenta. Mas é o que tem. Porque o que tinha, fez questão de perder. Só resta ouvir Legião. Isso me traz você de volta. Lembranças boas. Do tempo em que eu ainda era uma criança. E tinha raiva de você. E daquele ar de superioridade. Mas tinha um sorriso... Que saudade daquela paz. Que só o teu sorriso me traz. E por isso ainda existe aquela foto. Faz com que olhe tudo em volta e pergunte: "Teria sido diferente?" Mas os dias e as noites, vêm e vão. Trazendo as horas e levando o tempo. E enquanto isso, vamos celebrar a vida! Não é isso...
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