Lua
E mais uma vez vejo a história se repetir. Muda o cenário e alguns atores, mas o enredo é o mesmo. Ilusão. Iludimo-nos com nossa própria ilusão. Depois se vão e sem explicação, criam-se novas ilusões. Mas eu não me canso. E aquela menininha romântica ainda existe. Mora aqui dentro e insiste. Hoje já não é mais a mesma. Já apanhou muito e também já bateu. Está fraca, debilitada, definhando. Não tem mais tantos sonhos e nem acredita tanto, mas insiste. E eu acho isso bonito. Tem medo que ela vá embora de vez. No fundo, não quero isso. Por isso, fujo. Corro e saio do teatro. Não quero mais esse papel. Nem esse palco. Se for para sofrer e fazer sofrer, chega! Não quero deixá-la morrer... Afinal, ela é quem me faz viver. Crer em que algo bom ainda está por vir. Não posso fechar os olhos e deixar de andar. Preciso ser outros personagens. Em outros teatros, palcos. Mais uma vez outras histórias, contar.