Descanso
Quando tudo começa a te cansar, tudo fica sem graça, é porque já está na hora de parar.
Tuas asas já estão pesadas de tanta poeira de toda essa estrada.
Já não consegues voar. Rastejas.
Quando já percebes, voltaste a ser aquela velha lagarta.
E então precisas descansar. Trocar de pele. Limpar as asas. Lavar a alma.
Precisas fugir, mas escolhes por sumir.
Cria teu casulo e te cuida.
Não podes parar de viver. Tens contas a prestar.
Mas diminuis teu ritmo.
A vida passa. O tempo não para. Teus amigos continuam ali.
De longe a tudo observas. E descansas de ti mesmo.
Escolhes uma de tuas vidas e nela te concentras, enquanto esse marasmo paira.
Mudas de opinião e ainda manténs outros conceitos.
Recebe teu salário, vais ao supermercado e cuida de teus filhos.
Crias uma rotina, dentro da tua própria rotina.
Abres uma janela e vê o sol, mas esperavas chuva.
De noite o luar, não vem.
Passas madrugadas entre sonos e imagináveis despedidas, enquanto a música no rádio toca.
O cansaço é grande e o sonho maior ainda.
Queres o olhar do teu amigo e o sorriso do teu amor.
Ao mesmo tempo não queres ver ninguém.
Queres que te entendam, sem que precises te explicar.
Porque no fundo, no fundo, não há nada o que dizer.
Fechas os olhos, respiras fundo e esboças um sorriso no rosto.
Afinal, amanhã... (Ah! O amanhã...) Bem, o amanhã será um novo dia.
Terás saído desse casulo com asas mais belas que as anteriores.
Estarás livre para o próximo voo.
Até o próximo muro.
E assim, começas tudo de novo.
Mas até lá, ainda tens muito tempo...

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