Depois da festa

Quem a vê não percebe, mas ela carrega dentro de si seus vícios. Já bebeu, já fumou e já jogou. Tanto isso é verdade que quando alguém descobre se surpreende. O engraçado é que ela fica pasma com o espanto dessas pessoas: "Por que? Qual o problema?" E isso sempre acontece porque sempre os controlou muito bem. E não é por vergonha ou achar que ter vícios seja um erro. Afinal, para ela, feio e bonito, verdade e mentira, certo e errado, são coisas muito relativas. Não passam de pontos de vistas. Os controla simplesmente porque não admite que nada (ou quase nada) nem ninguém (ou quase ninguém) sejam maior do que sua própria força de vontade. Ela segue, na cabeça dela, o pensamento de Cazuza: "Faço o que quero, quando quero e até quando quero." Ou seja, se ela bebe, fuma ou joga é porque ela quer beber, fumar ou jogar e não porque o corpo dela necessita ou alguém lhe disse: "Vai, faz!" Isso não quer dizer que ela já não deu seus vacilos. Já, já sim... Tem uns que ela nem gosta de lembrar, outros ela acha até divertido, mas não os faria de novo. Diz: "Fiz só pra saber como era. Pra depois falar sobre, com conhecimento de causa."
Seu primeiro 'porre' foi no seu aniversário de 01 ano. Claro que ela não fez de caso pensando, mas desde ai já demonstrou seu interesse pelo lado, digamos, boêmio da vida. Seu pai, assim como alguns convidados, bebiam na festa e ela sem que ninguém percebesse 'bicava' os copos. Quando a festa acabou ela seguiu até seu quarto e foi costurando o corredor.
Seu segundo 'porre' foi aos 8 anos. Champanhe no Natal. Deve ter tomado no máximo duas taças e se deitou na cama e viu o teto de seu quarto girar, girar, girar... Durante sua infância, seu papai bebia e costumava reunir os amigos nos finais de semana. Por isso, ele tinha um bar muito charmoso na sala - ela se lembra dele - e sempre dava um jeito de provar aquelas bebidas. Licores era do que ela mais gostava.
Seu terceiro porre ela já era adulta. Ainda jovem saiu para viajar com os amigos e se embebedou de vinho. Nunca mais! É a segunda pior ressaca para ela. Hoje em dia, para evitar qualquer dano, ela fica no na primeira taça. Quando fica.
Seu quarto porre foi numa festa halloween. Esse foi o único proposital. Ela estava infeliz no casamento e muito chateada com o mundo. Não, ela não se lembra de quase nada. Nem de como chegou em casa. A única coisa que lembra era do seu marido (na época) desesperado, perguntar: "por que tu fizeste isso?" E ela responder: "Por que queria saber qual a graça de beber até chegar nesse ponto. E já descobri, não tem graça nenhuma". Ah! Lembra também que foi cerveja que ela bebeu. E foi muita. A pior ressaca do mundo!
Seu quinto e último porre foi para comemorar seu aniversário de 30 e poucos anos. Com a separação quase definitiva ela se sentiu livre e quis voar... Saiu com as amigas e bebeu sua bebida preferida, Cuba Libre! E a ressaca? Nenhuma!
Quanto a cigarros, bem, ela ama o cheiro do cigarro. De alguns é claro. Mentolados ela acha muito enjoativos. Tem uma marca predileta e se fumasse seria dessa marca. Ela diz que o cheiro de cigarro misturado com o perfume que a pessoa usa de costume, dá ao fumante um cheiro próprio. Único. Óbvio que ela experimentou o cigarro. Pediu que alguém a ensinasse a tragar. Sem sucesso. Afinal ela só consegue expelir a fumaça pelo nariz. Pela boca lhe dava uma sensação estranha. Mas resolveu ficar por ali mesmo, porque sabia que era um vício muito difícil dela controlar. E até hoje não se incomoda com ninguém fumando do lado dela. Mesmo quando sua rinite está atacada.
Já os jogos... Ah! Os jogos são os mimos dela. Os jogos de azar são os melhores, porque ela não conheceu o azar nos jogos. Só conheceu o azar no amor. Aliás, acho que ela nem sabe o que é amor. Nunca a vi apaixonada, assim caída de quatro por alguém. Se isso aconteceu, ela escondeu muito bem. De fato, só soube escolher parceiros na mesa. Na cama, foram um desastre suas escolhas. No entanto, como ela tenta se manter firme em suas convicções, ela não joga qualquer jogo nem a qualquer hora. E quando aposta, só aposta na certeza de ganhar. Pois não sabe perder. Ela concorda com Ayrton Senna que disse uma vez: "O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de pura demagogia."
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