Partes de Mim


"Minha escrita é terapia.
Nela, eu jogo toda minha raiva, minha mágoa, minha saudade.
E alguma alegria...
Não escrevo pra agradar, nem pra ferir.
Só quero desabafar e me encontrar.
Colocar pra fora o que sinto e organizar em palavras para eu poder me entender.
É só para não enlouquecer...
Nunca tive a pretensão de ser escritora, poetisa.
Até porque para isso eu acreditava, quando criança, que precisava ter muita criatividade, coisa que eu achava que eu não tinha...
Por motivos que não cabe aqui, pela a ocasião, sempre me senti diferente.
Não sei ao certo, se eu me fechei para a vida ou se foi ela que não me deu boas-vindas.
O que sei é que a medida que fui crescendo, fui me calando.
Aprendi que em certas horas não adianta falar.
Talvez porque eu não saiba falar.
Talvez porque a gente não saiba ouvir...
O fato é que quando me dei conta, já sabia escrever.
Sempre fui boa aluna em Língua Portuguesa e Redação.
Embora eu não tenha conseguido "decorar" todas as regras.
Por isso eu criei uma: A do bonitinho.
E funcionava assim: toda vez que escrevia algo, eu lia e se eu achasse bonitinho eu deixava, caso contrário eu mudava o que estivesse "incorreto", que poderia ser desde a grafia até a estrutura da frase ou o texto todo se fosse preciso.
É claro que isso não é certo, mas mesmo assim, tudo o que eu escrevia agradava de uma forma geral.
E por isso eu até "ensinava" essa regra aos meus coleguinhas de sala.
Ah... Fiz muitos trabalhos e redações pelos outros.
Trabalho em grupo? Se eu não fosse a responsável pela digitação ou escrita, não ficava.
Eu não ligava para os elogios... Achava banal.
Eu queria ouvir as críticas para poder melhorar.
Era o único momento que eu não me incomodava com correções.
Mas ainda não tinha passado pela minha cabeça, escrever para espairecer.
Tanto isso é verdade que não tinha paciência para diários.
E depois que sai da fase estudantil, larguei a escrita.
Esqueci até que eu gostava dela!
E a vida foi passando, a minha mudez aumentando e os meus sentimentos sufocando-me.
Busquei ajuda profissional.
Fui a uma psicóloga.
E em umas de suas sessões ela me perguntou do que eu mais gostava nessa vida...
Eu estava tão perdida que de imediato a resposta foi: nada! E de fato naquela época nada me dava o prazer de viver.
Passado um tempo ela percebeu que eu gostava muito de música e que tinha uma relação especial com essa arte: eu sempre tenho uma música, seja pra que ocasião for.
Em quase todas as sessões, eu levava uma música pra discutir com ela, algo que eu queria dizer sobre mim e não conseguia simplesmente falar.
Mas eu não sei cantar nem tocar instrumento algum e isso me frustra tanto...!
Até que um dia esta mesma psicóloga que não é brasileira, precisou mandar uma mensagem para um amigo. Como ela teve dificuldade em escrever (não me lembro se pelo idioma ou manuseio do celular) eu escrevi o tal texto.
Li e enviei.
E ela surpresa me diz: Você tem o dom das palavras! Você sabe brincar com elas...!
E foi ai que eu me lembrei da minha velha amiga: a escrita.
O desafio agora é recomeçar... Onde, o que e pra quem escrever?
E a vida foi tomando prumo e fui encontrando pessoas a me incentivar novamente.
Até que me apresentaram a ideia: BLOG!
No início eu achava que isso seria um absurdo, um abuso na verdade de minha parte, ter um blog.
Entretanto criei coragem e coloquei meu rosto para fora da janela...
E hoje meu blog completa 01 ano.
Com 18 seguidores, sendo 01 secreto (Chique né?);
67 postagens; e
Pasmem! Mais de 2016 visualizações.
Eu sei que isso é muito pouco ou quase nada.
Que talvez quem acessa nem leia o texto na íntegra.
Mas, já é alguma coisa e como até hoje não recebi nenhum comentário, digamos, desagradável, creio eu então que estou agradando."

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