Não é necessário ler um texto feito às 2:00h da madrugada



(O que nunca acontece)
-Eu já te disse que a minha vida é um inferno?
-Já.
-Pois então, mas não é um inferno físico, externo. Até porque, todo mundo tem esse tipo de inferno. Eu me refiro ao meu inferno mental. Eu vivo em conflitos intensos diante de tanta coisa e ao mesmo tempo um grande vazio paira sobre mim. E é ai que você entra e o que é engraçado.
-O que é engraçado?
-As vezes tenho a sensação de que seu inferno é maior e mais denso que o meu. O que me faz lembrar uma outra canção: "sabe, você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim..." E talvez seja por isso, que escutar você me acalma. Há uma paz que só você (e aquele nosso rio) me traz. Então, todas as vezes que você canta para mim, eu imagino o nosso mundo paralelo, onde eu ensaio um balé esquisito e você me observa. Lá, somos atores principais e as vezes só há nós dois. Conversamos e sorrimos bastante. Tem abraços e muito mais. Tudo que não temos aqui, tem lá. E as vezes é tão real que chego a escutar o barulho das garrafas, sendo derrubadas no chão. Sinto o teu cheiro e o do cigarro. E essa realidade, tão surreal, carrega a saudade... Lembro de tudo com carinho como se tivesse acontecido realmente. Parece loucura da minha mente, e é, tentar ter paz no meu inferno. Mas a sua voz, sua canção e sua poesia tem a paz que me excita e que no meu mundo imaginário me completa. Mesmo com toda a sua indecisão, seus medos (e eu sei que você os têm), a sua música me faz fechar os olhos e viajar e querer nunca mais voltar de lá...
-Acalma e excita? Ao mesmo tempo?
-Sim. Sou movida a desejos e conquistas. E quando eu sinto que ainda posso desejar para conquistar, sinto vida dentro de mim e isso me acalma.

-"Eu realmente amo te deixar excitada"
-Kkkkkk... Sério! Eu preciso do seu inferno para ter paz no meu. Quero seus problemas, tentar resolver. Saber de você...
-Poderia ser paixão, isso tudo?
-E é. De uma forma distorcida porque não queremos nos apaixonar.
-Não? Tem certeza?
-Absoluta. Não nascemos para o amor e por isso nossas paixões se tornam breves. Passatempos que nos distraem. Elas nunca avançam para o amor. Ou quase nunca. O que queremos mesmo é sermos amados, mas não estamos dispostos a amar o outro. Nos desejamos apenas, como desejamos todo mundo...
-Isso não é verdade.
-Pode ser. Mas se não for, explica qual o motivo de nos sabotarmos tanto?
-Como assim?
-Interrompemos nossos diálogos sempre. Eu não dou a continuidade que você quer e nem você reage como eu quero. Só fazemos o que queremos, mesmo sabendo que o que outro quer, pode ser justamente o contrário. E sempre sabemos o que o outro quer...
-Será?
-Prova disso, é esse diálogo. Ele nunca acontecerá no nosso mundo real. Só no meu paralelo. E talvez no seu também.
-Então quer dizer que, não podemos nos apaixonar, pois sabemos que vamos machucar o outro uma vez que não vamos responder as expectativas, simplesmente porque não queremos?
-É o que diz essa última canção que você me enviou e não me canso de escutar. Mas além disso, ela diz outra coisa que vai ficar para o próximo diálogo imaginário entre nós dois. Agora, preciso ir...
-"Você faz tantos planos, fica voando em aeroplanos da imaginação. Por que não faz seu campo de pouso no aeroporto do meu coração?"
-Preciso ir... Te cuida.

E para quem quiser ouvir: Chris Isaak - Wicked Game

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