Ah! O amor...
Recentemente, houve o seguinte diálogo:
Ele: -"Perdoe-me a indelicadeza, mas como você arranja tempo para namorar?"
Eu: -"Como assim?!"
-"Namorar, mulher..."
-"Namoro com quem? Eu não sabia... Viste algo, alguém te contou?"
-"Ficou nervosa? rsrsrs"
-"kkkk Nem um pouco. É que as pessoas têm mania de me darem namorados. É incrível!
-"Não vi, nem me contaram nada."
-"Então se você não viu, nem te contaram, é porque não existe namorado, nem boatos de."
-"É que você me disse que dorme a meia-noite e acorda as 5h. Não tem tempo pra nada! Por isso eu perguntei.."
Dai em diante a conversa continuou, e eu vou expor aqui em forma de texto mesmo. O que me intriga é esse interesse excessivo das pessoas pela vida pessoal de outras pessoas. Qual o objetivo dele em me "perguntar" isso? Perguntar entre aspas mesmo, porque ele não perguntou, ele afirmou que eu tenho um namorado. E... Bem, eu adoraria ter um namorado. Quem não gosta de ter um alguém do seu lado para contar nos momentos diversos da vida? Quem não gostaria de chegar no fim do dia e perguntar e ouvir: "Como foi o seu dia?". Ou assistir um filme, ou discutir um livro. Ou ainda, apenas dormir ao lado daquele olhar em silêncio de pura admiração?
O fato é que, apesar da minha fama de forte e auto-suficiente, sou tão humana quanto Simone de Beauvoir ou Pagu, por exemplo. Tenho minhas carências e a minha solidão. Tenho um desejo de um dia me apaixonar de verdade. Talvez esse dia até já tenha chegado ou deve estar a caminho de casa. O que sei, é que sempre me senti o patinho feio. Eu olhava pra mim - e ainda olho - e me pergunto: "O que eu tenho de qualidade? Qual a minha beleza? Qual a minha utilidade? Por que alguém gostaria de mim?"
Sério, há tantas mulheres belas (no sentido mais amplo que se possa ter de beleza) por ai, por que justo eu? Não, não é por ai... Estou equivocada mais uma vez.
E assim o tempo foi passando. Hoje, tenho um histórico não muito bonito de relacionamentos. Tive alguns namorados, paqueras, ficantes, e maridos. Sim, tive tudo isso e nunca me senti completa. Nunca me entreguei de corpo e alma como dizem por ai. Eu estive com essas pessoas, mas nunca senti-las comigo. Eu estava distante. Sempre. E de toda essa minha pequena e intensa experiência, resultou em algumas cicatrizes profundas na alma, alguns arranhões quando dei de cara no chão e três filhos. E agora, namorar tem outro sentido e mais dificuldades.
Estou em um momento em que não me dou o luxo de aventuras. Na verdade esse tempo de se aventurar já passou e na época, preferir ficar no meu canto. Então agora mesmo é que não tem mais lógica esse tipo de comportamento. E junto comigo, estão alguns amigos e conhecidos na mesma faixa de idade. Somos ou quase somos quarentões. A maioria de nós, casou e continuam casados. Se são felizes ou não, eu não sei e isso, sinceramente, não me importa. Até porque o significado de felicidade é uma variável inconstante. O que me chama a atenção são os que continuam solteiros ou que se separaram e que casaram de novo ou não, pois estou nesse grupo.
Dias desses, conversava com uma amiga sobre um amigo em comum. Ele tem uma rotina parecida com a minha e por isso seria um ótimo namorado para mim. Porém, o coração da gente é bicho selvagem. E eu não simpatizo com quem pensa como ele, para dividir meus livros, cd's e dvd's. E ele por sua vez, não sente atração por uma mulher como eu. Graças a Deus! Acho chato e ao mesmo tempo estranho essa história de sentimento não correspondido.
Pois bem, a mulher dele o deixou com os filhos e ele se viu de mãos atadas e queria logo casar novamente. Mesmo a gente dizendo a ele para não fazer isso, ele foi lá e começou a namorar e logo já estavam vivendo juntos. A vida dele, ao que parece, voltou a ser um inferno. E é ai o xis da minha questão: Hoje em dia, namorar como eu entendo e gostaria de namorar, não dá mais para mim. Além da vida corrida de horário espremido, tenho casa, filhos e pouca grana. E entre sair para jantar, cinema e até mesmo motel, e ter tudo isso no conforto da minha casa, é mais prático e barato. Fiquei sem romantismo? Não! Se bem que sempre me achei mais prática do que romântica. Romantismo é bom, nos livros e nas músicas. No dia-a-dia, a praticidade pode ajudar a rotina da falta de horário a ser mantida e a relação a dois poder sobreviver. E é nessa praticidade que encontro o abismo entre o meu provável futuro namorado e eu. Ele estará disposto a viver uma relação assim? Ele terá a capacidade de entender que ele será meu namorado e não meu marido e pai dos meus filhos? Que eu não quero alguém que me sustente, - mesmo sabendo que qualquer ajuda é bem-vinda - mas que me escute e me abrace quando eu estiver cansada? Que na verdade, o que quero é uma reciprocidade, um respeito mútuo? Que é preciso muito tempo de conversa e análises, antes dele atravessar com seus pés a minha porta e só depois deitar seu corpo na minha cama? Que assim, como eu, ele tem família e que devemos uma certa explicação a todos eles e que eu ainda devo essa mesma explicação aos meus filhos, acima de tudo? Que mesmo frequentando a minha casa, ela só passará a ser nossa depois de um tempo de convivência? Eu estou disposta a tudo isso, mas e ele? E você, está?
E para quem quiser ouvir: Pro dia nascer feliz e O mundo anda tão complicado

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