Quando eu chorei na academia - ou quando eu quis morrer mais uma vez...


♫Eu queria jogar, mas perdi a aposta♫
Você pensa na morte?
Eu penso todos os dias. Mas nunca pensei em suicídio. Acho que se matar é um ato muito corajoso diante de uma grande covardia. E eu achava que não chegaria aos 20 anos. Não queria dar "trabalho" pra ninguém. Não queria ter "trabalho". Por "trabalho", entenda sentimentos. Sabe de uma coisa? O que mais me intriga no ser humano (e talvez seja a minha maior decepção) é a capacidade de exigir algo que nem ele mesmo na maioria das vezes é capaz de dar: Respeito. Desde muito cedo aprendi que devemos praticar a empatia e desde muito cedo também, vi que o que menos fazemos é justamente isso. A justificativa? A luta pela sobrevivência, é o que eles dizem. Foi o que eu escutei a vida inteira, nesses meus longos e estranhos 38 anos. E agora, sinto mais uma vez a apunhalada. Aquele tapinha suave nas costas de uma velha conhecida: A traição. Não, eu não posso acusar ninguém de me trair. A não ser eu mesma. Segundo eles, tudo está certo ou ao menos estão tentando consertar algum tropeço do passado. E eu? Bem, sou a pessimista da história. Mas será que só eu vejo que esse castelo de cartas está sendo (re)construído em base irregular? Mais uma vez? Quantas vezes se deve tentar um erro na esperança de que ele vire um acerto?
Estou cansada... Cansada de ter que mudar de planos sem ao menos concretizar algum deles. Cansada de esperar por alguém que olhe pra mim e diga: "Eu te entendo. Eu sei o que é isso." Mas que essas palavras sejam de coração. Cansada de olhar a maldade humana e ter que entender que isso é naturalmente normal e que por isso eu "tenho que aceitar isso e ser assim também". Cansada de ser o patinho feio da estória. A excluída porque não se encaixa em grupo nenhum. Porém eu gosto da minha solidão. Ou aprendi a gostar. Aprendi a me olhar e a me gostar. E ao menos entender que essas pequenas decepções/traições sirvam para um momento de reflexão: Será que é a peça que não se encaixa no quebra-cabeça ou será que o quebra-cabeça é que não aceita aquela peça em seu conjunto. Talvez seja hora de partir. Pegar a estrada mais uma vez. E como autêntica cigana, andar sem apegos. Preciso confessar algo: Sempre quis amar de verdade. Entretanto, a quem confiar um sentimento tão nobre? (Se eu amei alguém nessa vida além de mim, foram meus filhos. Por eles é que ainda não sucumbi. E se eles não existissem eu também não mais existiria. Já teria ido pelas drogas ou pelo desgosto. Por isso achava que cedo eu iria embora. Era isso que eu queria.) Mas eu venho tentando amar. Sempre tento. No entanto, no máximo eu me apaixono. Sei quando isso acontece quando penso na morte. Quando penso em perder alguém, penso no contrário. É uma sensação no mínimo chata e pode ser que o contrário não aconteça. Mas se acontecer, não quero ser motivo de choro. Pra ser sincera já fui. E ainda sou. Não quero me sentir mais culpada. Por isso me afasto. Mantenho a terrível distância da zona de conforto. Já carrego o mundo de culpas e responsabilidades nas costas. É por isso que sempre quis morrer sem pensar em suicídio, pois penso na minha vida com carinho e talvez a melhor forma de protege-la seja morrendo. Dá pra entender? Acho que não... Isso é  coisa minha e eu não deveria lhe encher com tantas palavras evasivas, soltas, cheias de mim. E assim como todo mundo, você já tem problemas demais também. Mas é porque, nesses dias cinza-chumbo, resolvi mudar a leitura. Quando soube que iria chorar quando eu lesse o livro que eu vou te dar, isso seria um bom motivo de desculpa para as minhas lágrimas e olhos inchados. E tem sido bom ler sobre morte ou sobre a (in)capacidade humana. Faz com que eu me sinta um pouco parte desse mundo...


E pra quem quiser ouvir: Marvin - Titãs

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