Diálogo entre o Sol e a Lua
I
Hoje ela amanheceu inspirada.
Sonhou com ele como quase todas as noites. E achou que hoje o dia seria diferente.
E ele? Bem ele amanhecera noutro canto da cidade à sua maneira muito provalmente...
Se encontraram por acaso de manhã cedo e mantiveram breve diálogo.
Ela se empolgou, fez alguns planos pois o dia amanheceu diferente. Ela sentia isso.
E decidida, resolvera que teria uma conversa séria e clara, porém branda, colocando tudo em pratos limpos.
Ela tá cansando dessa situação indecisa que entrou e não sabe sair. Não sabe nem ao certo se tem saída.
Mas ela tem uma crença: se a vida lhe colocou nessa "sinuca", a vida lhe tira. Basta ela prestar atenção aos sinais.
II
E então ela passou o dia fazendo suas coisinhas, sonhando, como seria a tal conversa. Quando chegou a hora de ir, perdeu a coragem. Ficou com o coração pequenino e ficou com medo. Achou que era besteira tudo o que sentia e que o tempo iria curar a dor e responder todas as suas questões. E a partir desse momento foi acometida pelo tédio. Ficou achando a vida sem graça. Se sentiu sem graça. Olhou em volta de si e para si e viu uma vida quase morta. Tentou reagir. Mas sem muito êxito, enfrentou assim o resto do dia que seria e não estava sendo diferente.
III
A noite, enquanto ela começara a se preparar para dormir, ele surge.
Sol: É tédio!
Lua: Super... Quem? Eu ou tu? Ou os dois? Encarei até um sorvete pra ver se passava... Nada! - E ela só queria uma oportunidade para começar - Eu não sei tu, mas hoje eu fiquei sem nada pra fazer e ai bateu aquela tristeza... Por um momento olhei para mim e me vi assim... sem amigos, namorado... nada! Sozinha no mundo... Pensei em sair... Dar uma volta... "Mas pra onde?" pensei... Pensei até em te visitar, sei lá! Qualquer lugar... Mas depois pensei que poderia ser inconveniente... Liguei para umas amigas distantes... Meu ex estava aqui com nossas filhas... Ai ele resolveu dar uma volta com elas e eu assim meio sem jeito me convidei... E então eu fui tomar o tal sorvete...
Lua: Super... Quem? Eu ou tu? Ou os dois? Encarei até um sorvete pra ver se passava... Nada! - E ela só queria uma oportunidade para começar - Eu não sei tu, mas hoje eu fiquei sem nada pra fazer e ai bateu aquela tristeza... Por um momento olhei para mim e me vi assim... sem amigos, namorado... nada! Sozinha no mundo... Pensei em sair... Dar uma volta... "Mas pra onde?" pensei... Pensei até em te visitar, sei lá! Qualquer lugar... Mas depois pensei que poderia ser inconveniente... Liguei para umas amigas distantes... Meu ex estava aqui com nossas filhas... Ai ele resolveu dar uma volta com elas e eu assim meio sem jeito me convidei... E então eu fui tomar o tal sorvete...
Sol: Hoje eu até fiz algumas coisas... Mas agora cheguei em casa e...
Lua: E mudei o sabor do sorvete (eu consegui!) ao invés de pedir o de castanha, pedi um de carimbó (cupuaçú c/ castanha).
Sol: Um sorvete sempre costumava resolver as coisas comigo.
Lua: (risos)..... Eu estava ali... E ñ estava... Meu corpo era presente... Mas meu pensamento longe, longe... Bem longe... Eu pensava em um abraço, em um sorriso... Em um beijinho que fosse no rosto ou na testa já servia... - E de repente, assim como surgiu, o Sol se pôs... Mas ela continuou num monólogo e na esperança de que um dia ele saiba o que ela queria tanto lhe dizer - Queria dar colo e receber um colo... Queria te ver... Ver o teu sorriso... Ver o teu olhar... Sentir o teu abraço... Queria conversar... Queria sorrir... E sabes de uma coisa? Queria tudo isso e mais um pouco... Queria te dizer tantas coisas e ouvir tantas outras... Queria verdades... As tuas verdades e as minhas.
IV
E enquanto ela falava sozinha, ele novamente surge. Ela então fica alegre pois tem de novo a chance de lhe dizer tudo o que quer e ouvir... Porém eles mudam o rumo da conversa entristecendo-a e aborrecendo-o. Ele se cansa e vai embora. Ela lamenta e se despede. Chorando ela volta a falar sozinha: Eu só queria ouvir uma definição tua... Eu queria saber até onde posso entrar na tua vida e até onde queres entrar na minha... Queria saber o que sentes por mim... Queria saber se me amas, meu querido... Queria saber se gostas de saber que te amo... Porque tudo o que já disse e depois retirei, retirei só por respeito a ti e isso não quer dizer que deixei de sentir... Sempre defendi a tese que os meus sentimentos são meus e ninguém tem nada a ver com isso, até porque, ninguém tem a obrigação de carregar um sentimento alheio. E porque ninguém é obrigado a gostar de mim também... E ao te revelar, sei que te assustei... Fui intensa demais, como sempre...
V
E ela para de falar e fica ali sozinha, olhando tudo e vendo o nada. Triste ela conclui, talvez precipitadamente, o óbvio para ela naquele momento: Nem a amizade valeria a pena... Pena, por que era o que ela mais queria. Não queria paixão, não queria o corpo, embora dessas coisas ela sentisse alguma falta vez em quando. Mas o que ela queria mesmo, era o amor, em sua forma mais plena como ela nunca tinha sentido antes: A amizade! Uma amizade que quem sabe cresceria e ramificaria na paixão e no corpo? Mas deixa pra lá, não é assim que resolvemos a maioria de nossos conflitos? E sendo assim a Lua se recolhe e entra na sua fase nova. Obscura, se esconde de todos os astros e estrelas, envergonhada por ter amado e se declarado ao sol um dia. E assim ela vai vivendo de ciclos, até ficar cheia, de vaidade e de si, e assumir seu lugar diante da vida, pois feminina como ela é, tem a curiosidade e a teimosia cravadas em suas crateras. Por isso ela insiste de tempos em tempos, reaparecer. Mas por hoje chega! Afinal o dia foi diferente como ela pressentira desde o início.
Então, até a próxima Lua Cheia!

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