Domingo



"Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assite da canoa um boing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda da pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa" (Olhando Belém - Nilson Chaves)



Ando não querendo falar.
Ando não querendo ver.
Talvez por preguiça ou decepção...
Ando com vergonha de mim!
Por tudo que fiz e deixei de fazer.
E hoje dei um tempo de tudo e de todos.
Dei um tempo até de mim.
E saí para aproveitar à tarde de domingo.
Meio sem destinos, mas com alguns planos.
Ainda pela manhã fui ao salão.
Cortei os cabelos, fiz as sombrancelhas e as unhas.
E eu não sei o porquê, mas dessa vez diferentemente das outras, escolhi um esmalte rosa!
Por que o espanto? Porque detesto cor-de-rosa e só me dei conta quando voltei para casa...
Mas até que ficou bonito!
Então almocei e me arrumei. Coloquei o meu vestido favorito e fui...
Visitei um amigo a quem carinhosamente dei-lhe o codinome de Sol Vermelho.
De lá passeei num shopping.
Entrei numa capela, sentei, fiz uma oração e vi uma caixa de pedido.
Resolvi fazer um.
Tomei meu capuccino.
Ainda eram 17:00h, quando decidi olhar a minha Baía do Guajará.
Chegando lá na escadinha comecei a escrever ao sabor do vento, enquanto olhava as suas águas barrentas e esperava o pôr-do-sol.
Elas estavam agitadas, como se quisessem me tocar.
Acredito que estavam felizes em me ver.
Há tempos não ia vê-las.
Sinto falta desses meus momentos onde afago minha solidão.
Mas sempre que posso, passo por lá, porque enquanto o vento acaricia meu rosto e brinca com meus cachinhos, peço que as águas levem para longe todas as minhas angústias e dúvidas e me tragam alguma paz e sabedoria.
E hoje estive mais uma vez lá para isso.
Comprei um refrigerante e voltei para admirar o ballet do vento com as águas enquanto o sol ia e a lua vinha.
Fiquei por lá até as 18:00h e ao me despedir do vento, das águas, do sol e da lua, uma garça linda surge num vôo e plaina em minha direção, querendo se despedir de mim também.
Nessa hora agradeci a Deus, por no meio de enorme tempestade, ter um pouco de calmaria...
É encontrar no meio de tantas palavras grosseiras, frias e vazias e na ausência de todas as outras, um pouco de poesia.
Agora volto para minha dura e adorável realidade, despedindo-me da minha Baía, com a promessa de um dia voltar e quem sabe trazendo uma boa-nova.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Feliz Aniversário

Rita

Velhos tempos